Psicoterapia

O que leva alguém a fazer uma psicoterapia?

A procura de uma psicoterapia acontece pelos mais diversos motivos. Muitas vezes é a vivência de um mal estar, de um sofrimento que pode ser mais ou menos difuso e difícil para o sujeito de localizar e nomear, de precisar como e onde dói. Por vezes, é uma sensação de anestesia, como se o mundo não estivesse a ressoar no sujeito, que se vai sentido despido de sentido e significado; ou, pelo contrário, por um excesso de impacto que as vicissitudes da vida exercem sobre a sua sensibilidade. Pode também ocorrer na sequência de um evento de vida difícil de elaborar: o término de uma relação, uma doença, a morte de alguém, etc.; perante a emergência de um sintoma ou perante uma disrupção turbulenta da capacidade de funcionar no quotidiano.

Independentemente da especificidade do pedido e da situação que leva o sujeito a procurar uma psicoterapia, esta procura é movida, sobretudo, pela esperança e expectativa de que a transformação profícua do estado de coisas vigente seja possível. É uma força a favor da vida que se quer vívida e vivida, o mais plenamente possível, que impele o sujeito na procura de um psicólogo. É o desejo salutar e saudável que dispõe o sujeito a fazer um processo de descoberta de si mesmo, procurando compreender-se e transformar-se de acordo com as suas aspirações mais profundas, aproximando-se de si mesmo, de uma vida mais inteira e completa.

Colocados os pesos na balança, o receio que tal processo suscita – porque se intui que envolve algum sofrimento, que implica contactar com aspectos dolorosos da vida e do próprio – é vencido pelos potenciais ganhos que se antecipam e desejam. E, muitas vezes, há mesmo a intuição que é por aí, que é encarando o que dói e doeu, que se torna possível crescer e transformar, viver melhor, e vai-se à procura de mais e melhores recursos para fazer esse caminho. E vai-se, sobretudo, à procura de um outro que acompanhe e partilhe esse caminho, que participe no mapeamento dos trilhos, na legendagem do que se encontra e enfrenta, porque há inevitavelmente aspectos da vida de cada um que requerem um outro para serem pensados e transformados.

O que é uma psicoterapia?

A psicoterapia é, precisamente, um caminho… uma viagem a dois pelo mundo do sujeito que nos procura – navegação partilhada rumo ao autoconhecimento e à transformação de si. O clínico oferece um olhar atento e uma escuta treinada, empenha-se em acompanhar e pensar com o sujeito a sua vida, acolhendo os seus conteúdos internos, conferindo-lhes um lugar, procurando com ele significado e sentido. E está particularmente talhado para essa função em virtude do seu trabalho psicoterapêutico pessoal – que lhe confere maior receptividade e acuidade no olhar e no sentir –, pela sua formação teórica da qual faz mapa de navegação e que lhe serve na procura de orientar a viagem a bom porto,  e pelo trabalho de supervisão, no qual procura junto de outros clínicos a quem reconhece competência pensar o seu próprio trabalho clínico.

A psicoterapia é um processo realizado num espaço relacional fundado no respeito. Respeito pela confidencialidade e privacidade do processo terapêutico, respeito pelo tempo do sujeito que partilha o que deseja e à medida que lhe vai sendo possível, respeito pelos conteúdos que o paciente partilha, sobre os quais não recai um olhar moral ou julgador, mas um olhar que reconhece e aceita o que existe, abrindo espaço a uma verdadeira transformação fundada no reconhecimento e na compreensão.