A psicologia na infância
É durante a infância que construímos os alicerces de quem somos. É ao longo deste tempo que construímos uma visão do mundo, de nós próprios e dos outros, que persistirá ao longo da vida e sobre a qual se farão sucessivas aquisições.
A infância, tempo longo e fecundo, é atravessada por múltiplos desafios desenvolvimentais – cognitivos, afectivos, relacionais e sociais – profundamente interligados entre si. E é, também, constituída por inúmeros conflitos, nos quais a criança pode ficar mais ou menos enredada, ou pelo contrário ser bem sucedida, com o apoio da sua rede familiar e comunitária, a resolvê-los e a prosseguir um desenvolvimento desimpedido.
A psicologia tem um papel fundamental na identificação das dificuldades que neste caminho possam emergir e na intervenção precoce que permita desbloquear esses pontos de fixação, permitindo um desenvolvimento mais salutar e pleno, que tem repercussões não só imediatas como a longo termo. E pode fazê-lo trabalhando maioritariamente com a criança e/ou trabalhando também com a família, mediando e facilitando os processos de comunicação e de relação entre os seus elementos.
A psicologia tem, também, um papel fundamental na identificação de dificuldades mais sérias e estruturais, que a serem alvo de intervenção num tempo precoce permitem transformações mais profundas e funcionamentos mais adaptados no futuro, com maior sucesso do que se iniciados mais tarde em virtude da plasticidade e maleabilidade que caracterizam o tempo infantil.
Avaliação e projecto terapêutico
Quando a consulta se destina a uma criança, o processo começa sempre com uma ou duas sessões com os pais, para compreensão do pedido, i.e, do que os preocupa e traz à consulta, para compreensão da história de vida da criança e compreensão da família.
Momento ao qual se seguem três a quatro sessões com a criança, para observação da mesma e aplicação de provas psicológicas para melhor identificação e esclarecimento das questões em apreço, de forma a conhecê-la e a compreender o seu funcionamento, identificando eventuais problemáticas e caminhos de intervenção possíveis.
Terminamos com uma sessão com os pais, para devolução dos resultados da avaliação e, eventualmente, mapear em conjunto um projecto terapêutico que permita ir ao encontro das necessidades identificadas.
A psicoterapia infantil
O trabalho psicoterapêutico com a criança é feito de forma distinta da do adulto. Com a criança trabalha-se essencialmente através do jogo e do desenho, que lhe permitem expressar e elaborar as questões do seu mundo interno de forma mais rica do que exclusivamente através da palavra.
Para além das sessões individuais com a criança, a psicóloga reúne, com frequência variável, com a família, seja por motivos de feedback relativo ao seu progresso (quer num sentido quer noutro), seja por motivos de intervenção familiar. O progresso da criança em psicoterapia depende de uma aliança entre clínico, família e criança.